Flórida escolhe advogado com vínculos políticos no caso Roku
O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, escolheu um escritório de advocacia com conexões políticas para representar o estado em um processo contra a empresa de tecnologia Roku. A ação questiona uma proposta concorrente que poderia ter economizado centenas de milhares de dólares aos cofres públicos.
A decisão de contratar o escritório de Thomas Grady, em vez de aceitar uma proposta alternativa que oferecia representação por contingência, levanta questões sobre transparência e uso de recursos públicos no estado.
Advogado com ligações ao governo DeSantis
O principal do escritório escolhido, o advogado de valores mobiliários Thomas Grady, de Naples, é um ex-indicado do governador Ron DeSantis e apoiador de campanha de Uthmeier. Grady serviu como representante estadual do Partido Republicano de 2008 a 2010 e, depois, como comissário do Escritório de Regulação Financeira da Flórida por dois anos.
Registros de campanha mostram que Grady contribuiu financeiramente para a eleição de Uthmeier como procurador-geral, estabelecendo um vínculo político direto entre o advogado e o funcionário que o contratou.
A escolha gera questões sobre possíveis conflitos de interesse, já que o advogado possui vínculos políticos com a administração estadual que o selecionou para este caso de alto perfil.
Primeira ação sob nova lei de dados
O processo contra a Roku representa a primeira grande ação de aplicação das novas leis de proteção de dados da Flórida, que entraram em vigor em 1º de julho de 2024. A medida ocorre em um contexto de postura agressiva do estado contra grandes empresas de tecnologia.
A lei estadual exige que empresas que coletam dados de residentes da Flórida implementem salvaguardas específicas e ofereçam mecanismos de transparência sobre como as informações são utilizadas. A Roku, empresa de streaming, foi alvo da ação por supostas violações.
Padrão de ações contra tecnologia
Uthmeier, nomeado procurador-geral por DeSantis no ano passado, também lançou uma investigação criminal contra o ChatGPT e sua empresa-mãe, OpenAI, além de processar a rede social Snapchat e a plataforma de jogos Roblox.
Essas ações fazem parte de uma estratégia mais ampla do estado de usar seu poder regulatório para confrontar empresas de tecnologia, mesmo quando há alternativas que poderiam resultar em economia significativa para os contribuintes.
Fonte: Miami Herald




