Política

DeSantis assina novo mapa congressional na Flórida

O governador da Flórida, Ron DeSantis, sancionou nesta segunda-feira (4) um novo mapa congressional estadual que pode resultar na conquista de até quatro cadeiras adicionais pelo Partido Republicano na Câmara dos Representantes dos EUA. A medida intensifica uma disputa sobre redistritamento eleitoral no segundo maior estado do país, com repercussões nacionais para o equilíbrio de forças no Congresso.

“Assinado, selado e entregue”, celebrou DeSantis em publicação na rede social X, compartilhando imagem dos novos distritos redesenhados. A Legislatura controlada pelos republicanos aprovou a proposta poucos dias antes, e o Senado estadual deu aval uma semana após o gabinete do governador entregar o plano aos parlamentares. O processo acelerado ocorreu sem audiências públicas extensas, gerando críticas de organizações de transparência.

Impacto no Congresso

Sob o mapa anterior, sancionado há quatro anos, os republicanos da Flórida detinham vantagem de 20 a 8 na delegação congressional do estado. O novo mapa pode expandir essa margem para 24 cadeiras, remodelando distritos atualmente representados pelos deputados democratas Kathy Castor, Jared Moskowitz, Darren Soto e Debbie Wasserman Schultz.

O mapa deixaria a maior parte da Flórida com predominância republicana, restando quatro redutos democratas restritos a grandes áreas metropolitanas. Os quatro deputados democratas anunciaram intenção de buscar reeleição, embora alguns avaliem concorrer em distritos recém-configurados.

Moskowitz não tomou uma “decisão final”, mas disse que, se concorrer, buscará o 25º Distrito, uma cadeira costeira no sul da Flórida que inclui muitos eleitores judeus e aproximadamente metade de seu distrito atual, disse ele ao Politico nesta segunda-feira. O distrito apoiou o presidente Donald Trump em 2024, mas ainda é visto por alguns consultores republicanos como competitivo.

Justificativa e contestação

DeSantis e aliados republicanos apontaram o crescimento populacional da Flórida como justificativa para o redesenho do mapa, que deve enfrentar desafios judiciais imediatos de democratas e grupos de defesa de direitos eleitorais. O gabinete do governador afirmou que o novo mapa foi elaborado de maneira “neutra em relação à raça”.

Democratas contestam o argumento de DeSantis, apontando em parte para a Flórida Central, onde eleitores hispânicos — muitos deles porto-riquenhos — foram divididos entre vários distritos. A emenda Florida’s Fair Districts, aprovada por iniciativa popular em 2010, proíbe distritos elaborados com intenção de favorecer ou prejudicar um partido político ou titular de cargo.

O governador tem pressionado por novas linhas congressionais desde o verão passado, citando várias razões, incluindo a possibilidade de a Suprema Corte restringir ainda mais como a raça pode ser considerada no redistritamento. A Corte Suprema dos EUA emitiu recentemente uma decisão que limita disposições da Lei Federal de Direitos de Voto, facilitando o redesenho de distritos por legislaturas estaduais.

Reações e próximos passos

A representante estadual Angie Nixon, democrata, tentou interromper a aprovação final do projeto gritando no plenário da Câmara com um megafone, em protesto contra a medida. A ação foi registrada em vídeo e compartilhada amplamente nas redes sociais.

Organizações como o Equal Ground Education Fund, um grupo liderado por negros que trabalha para aumentar o poder político negro na Flórida, já anunciaram que entrarão com ação judicial contra o mapa. Espera-se que múltiplos processos sejam arquivados nos próximos dias em tribunais estaduais e federais.

DeSantis está no fim de seu segundo mandato como governador, limitado por lei a dois mandatos consecutivos, mas continua exercendo influência significativa sobre a política estadual. O novo mapa congressional é visto como parte de seu legado político e pode impactar as eleições de 2026 e além.

Fonte: Fox News

Giovanna Stenner

Jornalista brasileira e correspondente internacional morando nos Estados Unidos desde 2019.

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