Saúde

Lepra cresce na Flórida e tatus são a provável causa

Casos de lepra na Flórida aumentaram nos últimos anos, e cientistas apontam uma espécie local de tatu como provável responsável pela maioria das infecções. O estado registrou 17 casos até 18 de julho de 2026, ante 36 em todo o ano passado, 20 em 2024, 23 em 2023 e apenas 8 em 2022.

Tatus como principal vetor

Uma espécie de tatu comum na Flórida carrega a bactéria que causa a lepra, também conhecida como doença de Hansen. Embora a maioria dos tatus do estado não esteja infectada, muitos casos no norte e centro da Flórida estão ligados ao contato direto com o animal e seu habitat, segundo o Dr. Norman Beatty, professor associado da Universidade da Flórida.

Um caso no condado de Manatee é o único registrado até agora na região da Baía de Tampa. Beatty afirmou que a clínica de Gainesville, dedicada à lepra, identifica novos casos a cada mês. Muitos desses pacientes foram diagnosticados erroneamente ou conviviam com sintomas há anos.

Como se proteger

Para evitar a transmissão, Beatty recomenda não tocar diretamente o tatu, seu cadáver ou consumir a carne do animal. Evitar o solo onde o animal possa ter escavado também é fundamental para prevenir o contágio. O especialista ressalta que essas são as formas mais eficazes de prevenção disponíveis para os residentes da Flórida.

Os primeiros sinais da lepra são lesões vermelhas na pele, geralmente no abdômen e nos membros. O sintoma característico é a diminuição da sensibilidade no local da infecção. A Dra. Sally Alrabaa, professora de doenças infecciosas da Universidade do Sul da Flórida, destaca que o diagnóstico pode ser difícil porque a lepra imita outras condições dermatológicas. Ela recomenda que as pessoas prestem atenção a quaisquer reações após contato com a natureza e compartilhem essas informações com o dermatologista, facilitando o diagnóstico precoce e um tratamento mais rápido.

Doença tratável

Cerca de 95% das pessoas são naturalmente imunes à lepra, que afeta a pele e os nervos. A doença é curável com antibióticos, e não há motivo para alarme, segundo os cientistas. O tratamento é gratuito e disponibilizado pelo sistema de saúde público dos Estados Unidos através dos programas do Departamento de Saúde.

Como ainda há casos em andamento, é provável que o total de 2026 supere o do ano anterior. Beatty enfatiza que o objetivo é desmistificar a doença e conscientizar a população sobre os sintomas e formas de transmissão.

“Queremos reconhecer que é uma doença infecciosa presente no nosso estado que podemos tratar”, disse ele.

Fonte: WUSF Public Media

Giovanna Stenner

Jornalista brasileira e correspondente internacional morando nos Estados Unidos desde 2019.

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