Lepra cresce na Flórida: tatus são principais suspeitos
Casos de lepra na Flórida têm aumentado nos últimos anos. Neste ano, o estado registrou 17 casos até 18 de julho. O total de 2025 foi de 36, ante 20 em 2024, 23 em 2023 e oito em 2022.
Uma espécie de tatu nativa da Flórida, que carrega a bactéria causadora da lepra, pode estar por trás da maioria dos casos, segundo cientistas. O aumento, porém, não significa necessariamente que mais pessoas estão sendo infectadas.
Conscientização impulsiona diagnósticos
A conscientização sobre a lepra, também conhecida como hanseníase, e sua forma de transmissão cresceu significativamente nos últimos 20 anos, o que provavelmente levou ao aumento no número de casos reportados, explicou o Dr. Norman Beatty, professor associado da Universidade da Flórida.
“Temos uma clínica em Gainesville focada em lepra, e identificamos novos casos a cada mês que de outra forma teriam sido diagnosticados erroneamente ou os pacientes apresentavam sinais e sintomas há anos”, disse Beatty.
Sintomas e prevenção
Os primeiros sinais da lepra são lesões vermelhas na pele, geralmente localizadas no abdômen e nos membros, segundo Beatty. O principal indicador da doença é a diminuição da sensibilidade no local da infecção.
Embora a maioria dos tatus na Flórida não esteja infectada com a bactéria causadora da lepra, muitos dos casos no norte e no centro do estado decorrem de contato direto com o animal e seu habitat. Um caso no condado de Manatee é o único relatado até agora na região da Baía de Tampa.
“Para se proteger, evite tocar diretamente o animal, sua carcaça ou ingerir o animal, além de evitar solo onde o animal possa ter escavado ou revirado”, orientou Beatty. “Essa é a melhor forma de prevenir a transmissão na Flórida.”
Diagnóstico precoce é fundamental
A Dra. Sally Alrabaa, professora de doenças infecciosas da Universidade do Sul da Flórida, afirmou que conhecer os sintomas é essencial para um diagnóstico precoce e tratamento mais rápido.
“Por ser rara e por imitar tantas outras condições de pele, o diagnóstico pode ser perdido”, disse Alrabaa.
Aproximadamente 95% das pessoas são naturalmente imunes à lepra, que afeta a pele e os nervos. A doença é curável com antibióticos.
Como ainda há casos em andamento a serem relatados, é provável que o total deste ano supere o do ano passado, segundo Beatty. Cientistas afirmam, no entanto, que não há motivo para alarme.
“Queremos desmistificar essa doença e reconhecer que é mais uma doença infecciosa presente em nosso estado que podemos tratar”, concluiu Beatty.
Fonte: WUSF Public Media (NPR)




