Juros altos e inflação travam mercado imobiliário na Flórida
Aumento de cancelamentos em Miami-Dade
O mercado imobiliário do Condado de Miami-Dade enfrenta um período de instabilidade. Em junho, mais de 400 negócios para a compra de casas expiraram, enquanto nos meses de abril e maio, mais de 500 contratos fracassaram antes da etapa de fechamento. De acordo com dados do site Redfin, mais de 16% das vendas pendentes de casas foram interrompidas este ano na região.
Esse cenário reflete uma tendência nacional, mas a Flórida apresenta índices superiores à média dos Estados Unidos. Em junho, 15% dos negócios imobiliários em todo o país foram cancelados. No entanto, cidades como Orlando, Jacksonville e Tampa registraram números ainda mais alarmantes, com cerca de um em cada cinco compradores desistindo dos contratos.
Impacto dos juros e acessibilidade
A volatilidade do mercado é impulsionada principalmente pela sensibilidade dos compradores às taxas de juros. Gay Cororaton, economista-chefe da Miami Association of Realtors, explica que a acessibilidade tornou-se o principal entrave. Os consumidores enfrentam a combinação de hipotecas caras e preços de imóveis que continuam a subir na maioria dos mercados.
Embora a taxa média de juros para hipotecas de 30 anos tenha caído para baixo de 7% em junho, atingindo a mínima de um ano, os valores permanecem significativamente superiores aos registrados durante a pandemia de COVID-19. Enquanto isso, o preço médio de casas unifamiliares no sul da Flórida variou entre US$ 625.000 e US$ 650.000, com alta de 4% a 7% em relação ao ano anterior.
O fator condomínios e novas regulações
Além dos fatores financeiros, o mercado de condomínios no sul da Flórida enfrenta desafios regulatórios. Após o colapso do Champlain Towers South em Surfside, novas normas estaduais entrarão em vigor no final deste ano. As regras exigem que edifícios com mais de 30 anos passem por inspeções rigorosas e que as associações de condomínio mantenham reservas financeiras para reparos estruturais.
Essa incerteza jurídica e financeira afastou compradores. O ritmo de vendas de condomínios caiu, enquanto a oferta de unidades à venda aumentou mais de 30% em comparação ao ano passado. Mesmo com o aumento da oferta, os preços médios continuaram a subir em junho.
Para mitigar a crise de crédito, o sul da Flórida conta com um volume expressivo de compradores à vista. Em junho, mais de 25% das casas unifamiliares e 49% dos condomínios vendidos em Miami-Dade não utilizaram financiamento, isolando esses negócios das oscilações nas taxas de juros.
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