Mortes por sarampo expõem crise vacinal na Flórida
Vinte e seis anos após o sarampo ser declarado eliminado nos Estados Unidos, o país enfrenta o pior surto da doença em três décadas e meia. Autoridades da Pensilvânia anunciaram nesta terça-feira que duas pessoas não vacinadas morreram da doença, que é inteiramente prevenível. A Flórida também registra um surto, e médicos atribuem o problema à queda nas taxas de vacinação.
— É realmente frustrante quando se trata de algo completamente prevenível — disse a dra. Lisa Gwynn, pediatra da Universidade de Miami.
Números alarmantes
Os dados não mentem, e não são bons. São necessários 95% de cobertura vacinal com a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) para garantir imunidade coletiva. Miami-Dade está em 91%, e Broward em apenas 85%. Profissionais de saúde estão extremamente preocupados. A Flórida registrou 155 casos de sarampo neste ano, após apenas seis casos em 2025. Em 2024, foram 285 casos em todo o país. Neste ano, já são 2.777.
— O cenário está pronto para que doenças transmissíveis entrem em nossas escolas e comunidades, e isso é assustador — afirmou a dra. Gwynn.
Desinformação e exonerações
A pediatra relata que mais pais estão solicitando isenções vacinais para seus filhos porque a desinformação está disseminada na sociedade. Ela afirma que cuidados que antes eram rotineiros para crianças agora exigem longas conversas com os pais sobre o que as vacinas protegem.
— Nosso estado também está facilitando para os pais recusarem vacinas e permitindo que crianças subimunizadas entrem na escola — acrescentou.
Há duas semanas, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva recomendando que a vacina tríplice viral seja dividida em três doses separadas, e fez uma afirmação sem fundamento sobre uma vacina usada há décadas. Quando questionado por um repórter sobre evidências, o presidente respondeu que ouviu de algumas pessoas que seria assim.
— Sabemos que é segura, sabemos que salva vidas — disse a dra. Gwynn. — Minha única esperança é que o bom senso e a ciência prevaleçam, e que a confiança na comunidade médica vença.
Cirurgião-geral da Flórida quer reduzir vacinas obrigatórias
No ano passado, o cirurgião-geral da Flórida, dr. Joseph Ladapo, defendeu o fim de todas as obrigações vacinais no estado. A Legislatura não extinguiu as obrigações, mas agora Ladapo quer remover quatro vacinas da lista de exigências: varicela; haemophilus influenzae tipo b, que protege contra meningite; pneumocócica, que protege contra pneumonia; e hepatite B.
Ladapo afirmou que a vacina contra hepatite B não foi adequadamente testada quando aprovada pela FDA, dizendo que foi aprovada após apenas uma semana de testes. A dra. Gwynn diz que isso simplesmente não é verdade — a vacina contra hepatite B passou por anos de testes antes da aprovação.
— Essas vacinas são extremamente seguras. Cada vacina que administramos às crianças é segura, e é muito mais perigoso contrair a doença do que tomar a vacina — concluiu.
Profissionais de saúde recomendam que os pais procurem seus pediatras para obter orientações confiáveis sobre vacinação.
Fonte: NBC 6 South Florida



