Política

Júri acusa governo DeSantis de desviar US$ 10 mi na Flórida

Um grand jury da Flórida concluiu que o governo do governador Ron DeSantis “desviou” US$ 10 milhões em dinheiro de contribuintes para uma caridade ligada à sua esposa, mas recusou apresentar acusações criminais por falta de evidências sobre quem seria especificamente responsável.

DeSantis não contestou na quinta-feira (27) a legitimidade do relatório secreto do grand jury obtido e publicado pelo CBS News Miami, mas insistiu que nenhuma lei foi quebrada e disse que quem vazou os documentos selados enfrentaria “consequências”.

O grand jury do condado de Leon concluiu seu relatório em janeiro sobre investigações da Hope Florida, caridade fundada em 2021 pela primeira-dama da Flórida, Casey DeSantis. Apesar da ausência de acusações, o relatório provocou nova rodada de críticas contra DeSantis e outros republicanos do estado pelo recebimento de US$ 10 milhões de um acordo do Medicaid destinado a ajudar crianças carentes a obter seguro saúde.

Repercussões políticas

David Jolly, candidato democrata ao governo do estado, pediu reabertura da investigação do grand jury. Ele enfrenta o republicano Byron Donalds em novembro. DeSantis, por lei da Flórida, não pode buscar um terceiro mandato.

A caridade Hope Florida deveria ajudar famílias em dificuldades financeiras a se conectarem com igrejas e grupos de assistência para mantê-las fora de programas de ajuda pública. Os US$ 10 milhões foram em vez disso transferidos para comitês de ação política que usaram o dinheiro para se opor a uma medida eleitoral de 2024 que teria legalizado a maconha para adultos no estado. DeSantis se opôs à medida, que ficou aquém dos 60% de supermaioria necessários para se tornar lei.

Conclusões do grand jury

“Apesar de nossa constatação de que o dinheiro foi desviado, não encontramos evidências suficientes para acusar alguém criminalmente”, concluiu o relatório. O grand jury afirmou que ninguém assumiu responsabilidade pelo envio do dinheiro à caridade ou tinha memória de quem o fez.

“Reconhecemos que isso seria um obstáculo à persecução criminal”, observou o relatório. “Embora não possamos provar quem é responsável, podemos ver claramente que o dinheiro dos contribuintes foi usado para fins políticos e gostaríamos de ver mudanças para evitar que isso aconteça novamente.”

Figuras centrais

O relatório concluiu que James Uthmeier, que era chefe de gabinete de DeSantis na época, “estava em posição de autoridade sobre os envolvidos no acordo”, e que seu comitê Keep Florida Clean PAC foi o principal receptor dos US$ 10 milhões. O grand jury afirmou que o escritório da então procuradora-geral Ashley Moody tinha conhecimento dos planos de desviar o dinheiro. Ela foi posteriormente nomeada por DeSantis para o Senado dos EUA.

Uthmeier e Moody buscam a reeleição. Em coletiva na quinta-feira, Uthmeier sugeriu que democratas estavam por trás do vazamento do relatório e chamou o renovado interesse em suas conclusões de “hoax politicamente motivado”. Em uma publicação no X, Moody disse que seu escritório foi apenas uma das várias agências que aprovaram o acordo inicial e “não tinha conhecimento de como os fundos seriam gastos” pela Hope Florida.

Fonte: Associated Press via Yahoo News

Giovanna Stenner

Jornalista brasileira e correspondente internacional morando nos Estados Unidos desde 2019.

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