Saúde

Surto de dengue na Flórida tem primeira morte confirmada

A Flórida vive um dos piores surtos de dengue das últimas décadas, e o balanço agora inclui uma morte confirmada. O Departamento de Saúde da Flórida confirmou o óbito na sexta-feira (18), sem fornecer detalhes adicionais sobre a vítima.

Trata-se de um dos mais de 130 casos de dengue adquiridos localmente reportados neste ano no condado de Hillsborough, que normalmente registra apenas um punhado de casos. A mulher idosa, residente de Tampa, faleceu em 4 de setembro, segundo o Tampa Bay Times, que primeiro reportou a morte.

“Isso é extremamente incomum para nós”, declarou Chris Wilkerson, porta-voz do condado. O surto atual está concentrado ao norte de Tampa, onde equipes de combate a mosquitos têm trabalhado dia e noite com pulverização para eliminar os insetos transmissores.

Expansão da doença

A dengue é causada por um vírus transmitido por um tipo de mosquito de clima quente que está expandindo seu alcance geográfico devido às mudanças climáticas, segundo especialistas. O surto atual na Flórida provavelmente está ligado a condições climáticas recentes que permitiram a multiplicação dos mosquitos transmissores.

Por décadas, nos Estados Unidos, a maioria dos casos reportados de dengue ocorria em viajantes infectados em outros países, junto com casos adquiridos localmente em Porto Rico. Mas em 2009-2010, Key West, na Flórida, registrou os primeiros casos de dengue adquiridos nos EUA continentais fora da fronteira Texas-México desde 1945.

Números em ascensão

O maior número do estado — quase 200 casos — foi reportado em 2023. O total deste ano já ocupa o segundo lugar histórico, com 152 casos de dengue adquiridos localmente até o momento, segundo o Departamento de Saúde da Flórida.

Muitas pessoas infectadas não desenvolvem sintomas, o que significa que o número de casos reportados pode ser uma subestimativa do número real de infecções. Alguns pacientes apresentam dor de cabeça, febre e sintomas semelhantes aos da gripe. Casos graves podem causar sangramento severo, choque e morte.

Cenário global

No mundo inteiro, mais de 2,2 milhões de infecções foram reportadas neste ano, segundo a Organização Mundial da Saúde, com quase 1.200 mortes. Nos Estados Unidos, houve quase 1.500 casos adquiridos localmente, a maioria em Porto Rico, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Os surtos podem começar quando uma pessoa viaja, é infectada e depois é picada nos EUA por um mosquito capaz de transmitir o vírus. A partir daí, a transmissão pode se espalhar rapidamente, explicou Michael von Fricken, professor associado de saúde ambiental e global da Universidade da Flórida.

“Dada a abundância recorrente desses tipos de mosquitos na Flórida, a ameaça da dengue provavelmente não vai diminuir”, acrescentou von Fricken. “Acho que isso vai ser de certa forma o novo normal.”

Amostras recentes de mosquitos não têm detectado o vírus, um sinal de que a probabilidade de novas infecções está diminuindo, segundo Paolo Pecora, cientista sênior do Serviço de Gerenciamento de Mosquitos do condado de Hillsborough.

Fonte: NBC 6 South Florida, Tampa Bay Times

Giovanna Stenner

Jornalista brasileira e correspondente internacional morando nos Estados Unidos desde 2019.

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