Política

Aeroporto da Flórida é renomeado em homenagem a Trump

O Palm Beach International Airport, no sul da Flórida, passou a se chamar oficialmente President Donald J. Trump International Airport nesta quinta-feira (9). A mudança foi autorizada por uma lei estadual sancionada pelo governador Ron DeSantis em março, e o avião presidencial foi o primeiro a pousar no local renomeado às 5h01 da manhã.

O aeroporto, que operava há mais de meio século com o nome de Palm Beach, atende mais de 8 milhões de passageiros por ano e fica a poucos quilômetros de Mar-a-Lago, residência do presidente na Flórida. A Administração Federal de Aviação (FAA) autorizou a mudança de código de identificação de “PBI” para “DJT”, embora o código antigo continue válido para reservas de voos até 18 de agosto.

Transição em fases

Segundo o aeroporto, a transição — incluindo atualização de placas, branding e materiais públicos — ocorrerá em fases. A propriedade e as operações não serão afetadas, sendo descrita como uma mudança apenas de marca. Funcionários estimam o custo total em US$ 5,5 milhões, dos quais US$ 2,75 milhões foram alocados no orçamento estadual de 2026-2027.

Primeiro presidente com aeroporto enquanto no cargo

Trump é o primeiro presidente americano a ter um aeroporto nomeado em sua homenagem enquanto ainda está no cargo. Outros aeroportos presidenciais, como o John F. Kennedy em Nova York e o Ronald Reagan em Washington, foram renomeados após a morte ou o fim do mandato dos homenageados.

A deputada democrata Lois Frankel, da Flórida, classificou a mudança como “uma interferência clara” do legislativo estadual. “Aeroportos nomeados em homenagem a presidentes tradicionalmente foram designados depois que deixam o cargo e por decisões de comunidades locais — não impostas de cima”, afirmou em comunicado em maio.

Debate sobre marcas registradas

Trump registrou três marcas para o novo nome do aeroporto em fevereiro, antes mesmo da sanção da lei. As marcas cobrem uma ampla variedade de produtos — incluindo relógios, joias, moedas colecionáveis, gravatas, malas, roupas e chinelos de uso em aeroportos — além de serviços como lubrificação de aeronaves, check-in de bagagem e salas VIP.

A Trump Organization afirmou que o presidente e sua família não receberão royalties, taxas de licenciamento ou qualquer remuneração pela renomeação. No entanto, especialistas em direito de marcas apontam possíveis brechas no contrato de licenciamento entre Trump e o condado de Palm Beach.

Especialistas apontam possíveis brechas

Josh Gerben, advogado de marcas em Washington, explicou que o contrato permite ao Trump licenciar o nome do aeroporto para terceiros fora das dependências do aeroporto. “Se a Trump Organization quiser vender mercadorias online, poderá fazer isso sem qualquer conexão com o aeroporto”, afirmou. O contrato também exige que mercadorias vendidas no aeroporto sejam adquiridas de fornecedores aprovados por Trump.

Jake Linford, professor de direito na Universidade Estadual da Flórida, destacou que a cláusula do contrato não menciona serviços da mesma forma que menciona royalties de produtos. “Você pode imaginar um lounge Trump no novo aeroporto onde taxas de licenciamento voltariam para a DTTM e para os interesses do Trump”, afirmou.

A renomeação também dá a Trump controle sobre o uso de sua imagem no aeroporto. “Se eles não gostarem da expressão no rosto de Trump em uma foto, terão que encontrar outra”, disse Gerben. “Se não gostarem de alguma linguagem que descreve Trump ou sua presidência, terão que reescrever.”

Uma rodovia de 4 milhas ligando Mar-a-Lago ao aeroporto já havia sido renomeada em homenagem a Trump em janeiro. A mudança do aeroporto enfrenta duas ações judiciais locais. O Trump declarou Palm Beach como residência permanente em 2019.

Fonte: NPR

Giovanna Stenner

Jornalista brasileira e correspondente internacional morando nos Estados Unidos desde 2019.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *