Imóveis

Compradores de primeira viagem enfrentam obstáculos

Os preços persistentemente altos das casas e as taxas de juros elevadas estão forçando compradores de primeira viagem nos Estados Unidos a adotar medidas extraordinárias para conseguir adquirir seu primeiro imóvel. Dados recentes mostram que a acessibilidade habitacional melhorou ligeiramente em 2026, mas os preços continuam em patamares históricos.

Pooling familiar se torna norma

Um exemplo emblemático é o de Micah Longmire, de 31 anos, que após ouvir um sermão sobre a importância dos avós na vida das crianças, decidiu comprar uma casa junto com seus sogros em Chattanooga, Tennessee. “Eu ganho US$ 200 mil e não conseguiria comprar uma casa sozinho. Isso é ridículo”, afirmou Longmire.

Os pais de sua esposa contribuíram com US$ 200 mil provenientes da venda de sua própria casa em Utah e se aposentaram para morar com o casal em uma residência de 320 metros quadrados avaliada em US$ 585 mil.

Segundo Nadia Evangelou, economista sênior da National Association of Realtors (NAR), “a família agora acumulou tanto patrimônio que consegue ajudar seus filhos a dar essas entradas. Muitas pessoas gostam de viver em residências multigeracionais por razões culturais e também de custo”.

Números revelam tendência nacional

Dados da NAR mostram que 20% dos compradores de primeira viagem receberam ajuda financeira direta da família em 2025, ante 11% em 2019. O pagamento inicial mediano para compradores de primeira viagem foi de US$ 15 mil, representando apenas 5% do preço mediano nacional de US$ 300 mil.

Os preços das casas subiram este ano, embora não tanto quanto a inflação, resultando em leve aumento de acessibilidade em abril de 2026 comparado ao ano anterior. Contudo, após ajuste pela inflação, os preços permanecem menos de 4% abaixo do pico de 2022.

Flórida: situação mais crítica

Na Flórida, o cenário é mais desafiador para compradores de primeira viagem. O preço mediano das casas atingiu US$ 425 mil no início de 2026, representando alta de 15% em relação aos níveis de 2023. Na região metropolitana de Miami-Fort Lauderdale-West Palm Beach, os preços medianos alcançaram US$ 575 mil, excluindo muitos compradores de renda média do mercado.

“Estamos vendo famílias pooling de recursos através de três gerações para se qualificar para hipotecas”, relatou Maria Santos, corretora de imóveis em Tampa. “Avós vendendo suas casas trazem patrimônio, os pais contribuem com renda, e os casais jovens cuidam dos pagamentos do dia a dia”.

Índice de acessibilidade cai

O Índice de Acessibilidade Habitacional da National Association of Realtors caiu para 98,5 em abril de 2026. Isso significa que uma família com renda mediana de US$ 92 mil tinha 98,5% da renda necessária para se qualificar para uma hipoteca de uma casa de preço mediano — praticamente no limite.

Para compradores de primeira viagem sem patrimônio familiar acumulado, o caminho para a propriedade da casa se estreitou significativamente. Programas de assistência para pagamento inicial existem em alguns estados, mas a demanda excede em muito o financiamento disponível.

Fonte: Florida Phoenix

Giovanna Stenner

Jornalista brasileira e correspondente internacional morando nos Estados Unidos desde 2019.

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