Ex-congressista da Flórida é preso por lobby ilegal para a Venezuela
Prisão e acusações de lavagem de dinheiro
Um ex-congressista de Miami, David Rivera, foi preso por autoridades federais sob acusações de lavagem de dinheiro e representação de governo estrangeiro sem o devido registro. Rivera, republicano que atuou no Congresso entre 2011 e 2013, foi detido em Atlanta, conforme informações da Procuradoria dos EUA em Miami.
As investigações giram em torno de um contrato de consultoria de US$ 50 milhões assinado com o governo socialista da Venezuela. A acusação detalha que, durante o início da gestão de Donald Trump, Rivera teria participado de uma conspiração para realizar lobby em favor de Caracas. O objetivo era reduzir as tensões diplomáticas, resolver disputas legais com empresas petrolíferas estadunidenses e reverter as sanções impostas pelos EUA à nação sul-americana.
Operação de influência e pagamentos milionários
Entre 2017 e 2018, Rivera e a consultora política Esther Nuhfer teriam tentado influenciar membros do Congresso e da Casa Branca em benefício do presidente Nicolás Maduro. O New York Times reportou que houve tentativas de agendar reuniões em Washington, Nova York e Dallas entre aliados de Maduro e legisladores dos EUA, incluindo um assessor próximo ao ex-presidente Trump.
Estima-se que o governo venezuelano tenha pago ao menos US$ 23,75 milhões do valor total do contrato pelos serviços de lobby. Naquele período, o regime de Maduro buscava aproximar-se da Casa Branca, chegando a doar US$ 500 mil para o comitê inaugural de Trump por meio da Citgo.
A estratégia de influência, no entanto, não prosperou. Em 2019, Donald Trump reconheceu Juan Guaidó como líder legítimo da Venezuela e endureceu as sanções contra o petróleo do país para pressionar a queda de Maduro.
Métodos de ocultação e conexões políticas
Para mascarar a natureza de suas atividades, os promotores alegam que Rivera utilizava códigos em mensagens. O presidente Maduro era referido como “motorista do ônibus”, congressistas eram chamados de “Sombrero” e quantias milionárias eram descritas como “melões”.
Evidências de processos paralelos indicam que Rivera manteve contato com o senador Marco Rubio enquanto trabalhava para a Venezuela. Rubio, ex-colega de quarto de Rivera em Tallahassee, foi um dos principais defensores de uma política rigorosa contra o regime venezuelano.
Rivera também é acusado de tentar organizar encontros em jatos privados para assessores da Casa Branca e de envolver o deputado Pete Sessions, do Texas, para mediar reuniões entre o chanceler venezuelano e executivos da Exxon.
Irregularidades contratuais e transferências russas
A empresa de Rivera, Interamerican Consulting, foi processada em 2020 pela PDV USA, afiliada da Citgo, por descumprimento de contrato de consultoria estratégica. Embora a entidade contratante fosse sediada nos EUA, a lei exige que qualquer trabalho em nome de governos estrangeiros seja registrado oficialmente.
Mensagens de texto de outubro de 2017 mostram que Rivera estava ciente dos riscos, mencionando que a proximidade com a PDVSA em Caracas poderia gerar um “escândalo de proporções monumentais”. Apesar do alerta, promotores afirmam que ele recebeu US$ 5 milhões de uma conta da PDVSA no Gazprom Bank, na Rússia, poucas semanas depois.
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