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Lagarto argentino invasor preocupa autoridades da Flórida

A estrela do futebol Lionel Messi encantou o sul da Flórida com seu talento em campo pelo Inter Miami. Mas há outro argentino chamando atenção na região: um grande lagarto invasor que as autoridades de vida selvagem da Flórida trabalham para conter.

O tegu argentino preto e branco, um lagarto que pode atingir 1,37 metro de comprimento e pesar até 7 quilos, tornou-se um dos répteis invasores mais difundidos da Flórida. Em nenhum lugar o problema foi reportado com tanta frequência quanto no condado de Miami-Dade.

Miami-Dade lidera em avistamentos

Segundo o Sistema de Mapeamento de Detecção e Distribuição (EDDMapS), até julho de 2026, Miami-Dade registrou 8.342 avistamentos de tegu relatados — de longe o maior número entre todos os condados dos Estados Unidos. Esse número é mais de quatro vezes superior ao do segundo colocado, o condado de St. Lucie, com 1.981 relatos. Broward registrou 98, Palm Beach 49 e as Florida Keys 25.

As autoridades de vida selvagem afirmam que os grandes lagartos representam mais do que apenas uma aparição incomum nos quintais. Eles ameaçam a fauna nativa ao comer ovos, filhotes e até espécies ameaçadas de extinção, motivando esforços contínuos para removê-los do estado.

Por que os tegus são um problema na Flórida

Nativos da América do Sul, os tegus argentinos preto e branco foram introduzidos nos Estados Unidos por meio do comércio de animais exóticos já em 2002. Especialistas dizem que animais de estimação escapados ou liberados intencionalmente estabeleceram populações reprodutivas na Flórida, onde o clima quente permitiu que prosperassem.

Esses répteis onívoros comem quase tudo o que encontram, incluindo ovos de pássaros, jacarés, crocodilos e tartarugas-marinhas, além de jabutis, pequenos mamíferos, insetos, frutas e ração de animais deixada ao ar livre.

Pesquisadores do South Florida Water Management District documentaram tegus saqueando ninhos de jacarés e crocodilos no sul da Flórida. A Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida (FWC) afirma que os répteis também consomem jabutis juvenis ameaçados e cultivos agrícolas.

Tegus adultos têm poucos predadores naturais na Flórida, permitindo que as populações cresçam uma vez estabelecidas, segundo especialistas.

População crescente em Miami-Dade

A Flórida tem quatro populações reprodutivas conhecidas de tegu argentino, incluindo uma no sul de Miami-Dade. Outras populações estabelecidas estão em Hillsborough, Charlotte e St. Lucie. Avistamentos em outras áreas geralmente envolvem animais escapados ou liberados, e não populações autossustentáveis.

Segundo pesquisadores, a população reprodutiva de Miami-Dade existe há mais de uma década, o que ajuda a explicar por que o condado acumulou milhares mais avistamentos do que qualquer outro lugar do país.

Identificação e tamanho

Segundo a FWC, os tegus argentinos preto e branco podem:

  • Crescer até quase 1,5 metro de comprimento
  • Pesar até 7 quilos
  • Viver até 20 anos
  • Botar cerca de 35 ovos por ano

Tegus jovens são fáceis de identificar porque têm uma cabeça verde brilhante que desaparece após cerca de um mês. Os adultos desenvolvem o padrão característico de faixas pretas e brancas.

O que fazer ao avistar um tegu

A Flórida classifica o tegu argentino como espécie invasora não protegida, exceto pelas leis de crueldade contra animais. A FWC encoraja as pessoas a reportar avistamentos tirando uma foto, anotando a localização e enviando pelo aplicativo IveGot1, pelo site IveGot1 ou ligando para a linha direta de Espécies Exóticas no número 888-Ive-Got1.

Em propriedades privadas, tegus podem ser removidos humanitariamente com permissão do proprietário. Também podem ser capturados e sacrificados humanitariamente durante todo o ano em dezenas de áreas gerenciadas pela comissão no sul da Flórida, sem necessidade de licença de caça.

As autoridades orientam os donos de animais exóticos a nunca liberar seus animais na natureza. Quem não puder mais cuidar de um tegu pode entregá-lo por meio do Programa de Anistia de Animais Exóticos da Flórida, que ajuda a realocar animais exóticos sem penalidades.

Fonte: CBS News Miami

Giovanna Stenner

Jornalista brasileira e correspondente internacional morando nos Estados Unidos desde 2019.

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