Pesquisas divergem sobre imposto predial na Flórida
Eleitores da Flórida estão divididos sobre a Emenda 3, proposta que reduziria significativamente os impostos prediais sobre residências próprias e condomínios. Três pesquisas divulgadas na última semana mostram resultados completamente diferentes para a votação de 3 de novembro, quando a medida precisa de 60% de aprovação para passar.
Três pesquisas, três cenários
As três pesquisas apresentam cenários opostos. A primeira, do Targoz Market Research para o Instituto James Madison, indica aprovação com 63% de apoio. A segunda, do Mason-Dixon Polling & Strategy para a NBC 6 e a Telemundo, aponta 55% — abaixo do limite necessário. A terceira, do St. Pete Polls para o Florida Politics, registra apenas 42% de apoio, com 35% contrários e 23% indecisos.
“Provavelmente vai ser apertado. Consigo argumentar logicamente a favor e contra”, disse Aubrey Jewett, cientista político da Universidade da Flórida Central. “60% é um limite bastante significativo.”
O que muda com a Emenda 3
A emenda reduziria os impostos prediais para residências ocupadas pelos proprietários e condomínios. A isenção homestead, que atualmente reduz em US$ 50 mil o valor tributável de uma residência própria, passaria para US$ 150 mil em 2027 e US$ 250 mil em 2028. A medida não se aplicaria aos impostos escolares.
A proposta também diminuiria o aumento anual máximo do valor tributável de propriedades não residenciais de 10% para 5%. O resultado seria redução de impostos para proprietários de imóveis residenciais, oferecendo alívio após anos de aumentos generalizados.
Oposição alerta sobre cortes
Oponentes advertem que a emenda pode resultar em aumento de impostos para outros proprietários, elevação de taxas, cortes em serviços locais — ou uma combinação dos três. Os cortes poderiam afetar segurança pública, como polícia e bombeiros, além de parques, bibliotecas e serviços de saúde.
“Isso pode acabar com um aumento de impostos bastante grande para inquilinos e proprietários de empresas”, disse Jewett. A proposta é apoiada pelo Partido Republicano da Flórida, pelo governador Ron DeSantis e pela Associação de Corretores da Flórida. É contestada pelo Partido Democrata, prefeitos, xerifes e sindicatos de funcionários públicos.
Custo de vida no centro do debate
A emenda chega em um momento de frustração crescente dos eleitores com a economia. Na pesquisa Targoz, 19% dos eleitores disseram estar em melhor situação financeira que há um ano, 38% pior e 42% praticamente igual. O resultado foi similar no levantamento Mason-Dixon: 26% melhores, 39% piores e 34% iguais.
Embora os eleitores não considerem o imposto predial o maior responsável pelos problemas de acessibilidade — juros, seguro residencial e preços de alimentos aparecem acima —, a emenda é a única opção no voto. “Os eleitores só podem votar naquilo que lhes é apresentado”, afirmou Jewett.
Por que as pesquisas divergem tanto
Especialistas apontam várias razões para a discrepância. As três pesquisas usaram metodologias diferentes: uma com entrevistas ao vivo por telefone, outra online e a terceira combinando internet e chamadas automáticas. Cada uma perguntou de forma diferente — uma simplificou a questão, outra usou o texto completo que aparecerá na cédula.
“Uma pesquisa é uma fotografia de um momento”, disse Kevin Wagner, cientista político da Florida Atlantic University. “Sempre vai haver muito ruído estatístico.”
Dentre os eleitores hispânicos pesquisados pelo Mason-Dixon para a Telemundo, 58% disseram votar sim, 31% não e 11% estavam indecisos — um dado relevante para a comunidade brasileira na Flórida, que pode ser impactada diretamente pela redução ou não dos impostos prediais.
Fonte: South Florida Sun Sentinel via Yahoo News




