Política

Flórida ordena remoção de câmeras de placas em rodovias

O Departamento de Transporte da Flórida (FDOT) ordenou nesta segunda-feira (31) a remoção de todas as câmeras de leitura automática de placas (ALPR) instaladas em rodovias estaduais, citando preocupações com privacidade, relatos de uso indevido e a rápida expansão da tecnologia de vigilância. As agências locais têm 30 dias para retirar os equipamentos.

O que diz o memorando

O memorando do FDOT revoga todas as aprovações existentes para sistemas de reconhecimento automático de placas dentro de rodovias do Sistema Estadual de Rodovias. O departamento afirmou que removerá qualquer equipamento que permanecer após o prazo e não aprovará novas instalações.

O documento cita o aumento exponencial na implantação das câmeras, juntamente com preocupações sobre uso indevido, privacidade de dados e vigilância, como justificativa para a ação imediata.

DeSantis apoia medida

O governador Ron DeSantis disse apoiar a disponibilização de ferramentas para a aplicação da lei, mas não quer que a Flórida se torne um estado de vigilância. Acho que está fora de controle, disse DeSantis ao ser questionado sobre as câmeras de leitura de placas.

DeSantis pediu que a Legislatura estadual aborde o assunto e reiterou sua defesa de um projeto de lei de direitos para inteligência artificial. As pessoas têm razão em estar preocupadas, afirmou.

Casos de uso indevido

A decisão surge após vários casos na Flórida envolvendo policiais acusados de acessar bancos de dados de placas para motivos pessoais. Em Haines City, um policial foi preso após supostamente pesquisar dados do sistema Flock sobre o veículo de sua ex-esposa mais de 700 vezes entre setembro de 2024 e junho de 2026.

Uma ex-detetive do Condado de Sumter também foi demitida e processada após supostamente usar os sistemas Flock e outros bancos de dados para reunir informações sobre a ex-mulher de seu marido. Outros policiais enfrentaram acusações de usar leitores de placas para rastrear ex-parceiros românticos.

Empresa responde

O fundador e CEO da Flock Safety, Garrett Langley, argumentou que salvaguardas mais fortes, em vez de proibições totais, seriam a melhor abordagem. Quando penso em legislação que pede uma proibição total, é como proibir veículos, disse Langley.

A Flock anunciou mudanças para detectar e limitar usos indevidos, incluindo um sistema de auditoria obrigatório que sinaliza atividades suspeitas, como buscas repetidas pela mesma placa ou buscas feitas fora do horário de serviço. A empresa também está reduzindo seu período padrão de retenção de dados de 30 para 7 dias.

Balanço entre segurança e privacidade

Agências de aplicação da lei na Flórida creditaram repetidamente as câmeras com a ajuda na resolução de casos. A polícia de Titusville disse que os leitores de placas ajudaram a localizar um suspeito de assassinato no Condado de Volusia. Autoridades do Condado de Marion também usaram o sistema para encontrar uma adolescente de 13 anos que era objeto de um Alerta Amber.

Defensores da privacidade afirmam que os casos conhecidos podem representar apenas uma fração das buscas impróprias, pois algum uso indevido pode nunca ser descoberto. O debate deve continuar enquanto legisladores avaliam o uso da tecnologia pela aplicação da lei contra preocupações com vigilância governamental.

Fonte: FOX 35 Orlando

Giovanna Stenner

Jornalista brasileira e correspondente internacional morando nos Estados Unidos desde 2019.

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