Política

Projeto de lei quer limitar pronomes em órgãos da Flórida

Proposta de restrição a pronomes pessoais

Um novo projeto de lei apresentado por um deputado republicano da Câmara da Flórida busca impor restrições severas ao uso de pronomes pessoais em agências governamentais. A proposta, identificada como HB 599 e apresentada pelo deputado Ryan Chamberlin (R-Belleview), visa a sessão legislativa de 2024 e foca na regulação da linguagem e da conduta em ambientes de trabalho públicos.

O texto do projeto estabelece que a política do Estado considera o sexo de uma pessoa como uma característica biológica imutável. Segundo a proposta, seria falso atribuir a um indivíduo um pronome que não corresponda ao sexo biológico determinado no nascimento. Caso aprovada, a medida impediria que agências governamentais estaduais e locais exijam que funcionários ou prestadores de serviços utilizem títulos ou pronomes preferidos de terceiros se estes não coincidirem com o sexo biológico.

Impacto em funcionários e treinamentos

A legislação também proíbe que funcionários de agências governamentais e empreiteiros forneçam aos seus empregadores pronomes preferidos divergentes de seu sexo biológico. Da mesma forma, os empregadores ficariam impedidos de solicitar tais informações aos trabalhadores.

O projeto prevê que violações a essas normas possam ser processadas por meio de reclamações à Comissão de Relações Humanas da Flórida. O texto defende que medidas adversas contra funcionários baseadas em crenças religiosas ou biológicas tradicionais sobre sexualidade e casamento seriam consideradas práticas de emprego ilegais.

Além da questão linguística, o HB 599 veda que organizações sem fins lucrativos ou empregadores que recebam verbas do Estado exijam a participação de trabalhadores em treinamentos ou instruções sobre orientação sexual, identidade de gênero ou expressão de gênero.

Contexto político e reações

A proposta de Chamberlin segue a linha de leis já aprovadas pelo governador Ron DeSantis e por legisladores republicanos, que restringiram temas de identidade de gênero em escolas e serviços de saúde. Partes do texto são idênticas ao projeto HB 1069, aprovado em 2023 e focado no sistema educacional.

A deputada Anna Eskamani (D-Orlando) criticou a proposta, classificando-a como inconstitucional. Eskamani argumentou que a medida impactaria organizações sem fins lucrativos e grupos de defesa LGBTQ, como o Equality Florida, limitando a atuação de entidades privadas que dependem de fundos públicos ou operam em parceria com o Estado.

A sessão legislativa de 2024 tem início previsto para 9 de janeiro, data em que o projeto deverá ser debatido.


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Giovanna Stenner

Jornalista brasileira e correspondente internacional morando nos Estados Unidos desde 2019.