Política

EUA ampliam sanções a Cuba: turismo, energia e comércio

O governo dos Estados Unidos impôs nesta segunda-feira (13) uma nova rodada de sanções a 10 entidades do governo cubano, ampliando o esforço para pressionar o regime comunista da ilha com medidas que atingem organizações ligadas ao aparato de segurança e a alguns dos setores econômicos mais importantes do país.

As sanções vão além de organizações vinculadas ao exército e incluem o Ministério do Turismo de Cuba (MINTUR), empresas de energia, um importante grupo de comércio exterior, uma empresa de transporte marítimo e uma instituição financeira estatal que ajudam a gerar receita para o governo cubano.

Entidades sancionadas

Segundo o Departamento de Estado, as entidades sancionadas financiam o regime cubano ou participam da repressão de dissidentes políticos. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou em comunicado que os Estados Unidos continuarão a usar todas as ferramentas disponíveis para enfrentar as ameaças à segurança nacional representadas pelo regime comunista cubano e promover reformas econômicas e políticas em Cuba.

Entre as entidades de maior destaque está o MINTUR, um dos maiores geradores de moeda estrangeira do governo cubano fora do conglomerado controlado pelas forças armadas (GAESA). As sanções também atingem as estatais de energia ENETEC S.A. e COREYDAN S.A., a empresa de comércio exterior GECOMEX, a transportadora marítima GEMAR e a provedora de serviços financeiros CAUDAL.

O Departamento de Estado designou ainda a Milícia de Tropas Territoriais (MTT), a Associação de Combatentes da Revolução Cubana (ACRC) e as Brigadas de Resposta Rápida — organizações que, segundo Washington, apoiam o aparato de segurança de Cuba por meio de vigilância e repressão.

Impacto além das fronteiras americanas

Sob as sanções, quaisquer bens das entidades designadas em território americano são congelados, e indivíduos e empresas dos EUA estão proibidos de fazer negócios com elas. O impacto mais significativo, no entanto, pode ser sentido fora dos Estados Unidos.

As medidas expõem empresas estrangeiras, bancos, seguradoras e transportadoras a potenciais penalidades se continuarem a realizar negócios com as entidades designadas enquanto mantêm acesso ao sistema financeiro americano. Esse risco adicional pode desencorajar companhias internacionais de trabalhar com entidades cubanas.

Setores sob pressão

Os setores mais propensos a sentir a pressão são energia, transporte marítimo e comércio exterior. A ENETEC e a COREYDAN administram importações de combustível essenciais para a já sobrecarregada rede elétrica de Cuba. A GECOMEX supervisiona parte significativa das importações e exportações do país, enquanto a CAUDAL fornece seguros e serviços financeiros que facilitam a atividade comercial.

Se instituições financeiras internacionais tornarem-se mais relutantes em trabalhar com essas entidades, Cuba poderá enfrentar obstáculos adicionais para importar combustível, equipamentos e outros bens essenciais. Analistas observam que o efeito mais amplo das sanções dependerá de bancos e empresas internacionais decidirem cumprir as medidas.

Escalação da política

O anúncio marca a última escalada na política cubana do governo. No mês passado, Rubio anunciou sanções contra cinco entidades afiliadas ao conglomerado militar GAESA, junto com organizações envolvidas em atividades financeiras, logísticas e de mineração que geram receita para o governo cubano.

No início deste mês, o Departamento do Tesouro sancionou o presidente cubano Miguel Díaz-Canel, membros da família Castro e várias instituições estatais, incluindo agências ligadas às forças armadas cubanas, afirmando que as medidas foram uma resposta a ações contrárias aos interesses nacionais dos Estados Unidos.

Resposta de Cuba

Cuba condenou as sanções. O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, acusou Washington de intensificar a campanha de pressão econômica contra a ilha.

O governo dos Estados Unidos continua a intensificar a guerra contra o povo de Cuba, suas condições de vida e suas fontes de subsistência. O anúncio de medidas coercivas adicionais é uma manifestação clara da intenção criminal e genocida de punir o povo cubano.

O Departamento de Estado afirmou que as sanções têm como objetivo pressionar o governo cubano a melhorar os direitos humanos, conter a repressão política e promover reformas democráticas e econômicas.

Fonte: NBC 6 South Florida

Giovanna Stenner

Jornalista brasileira e correspondente internacional morando nos Estados Unidos desde 2019.

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